A Câmara Municipal de Londrina deve votar, ainda antes do início do recesso, a proposta que amplia o número de vereadores. A articulação é liderada pela Mesa Diretora, sob comando do presidente Emanoel Gomes, e nos bastidores já se fala em maioria garantida para aprovação.
Hoje, Londrina tem 600 mil habitantes e continua com apenas 19 vereadores. O número é o mesmo de décadas atrás, quando a cidade tinha pouco mais da metade da população atual. Pela legislação federal, Londrina pode ter até 25 cadeiras.
Comparando com outras cidades, a disparidade fica evidente. Cascavel tem 21 vereadores. Ponta Grossa tem 23. Ambas são menores que Londrina. A cidade está entre os municípios brasileiros com menor representação proporcional por habitante.
Os defensores da proposta reforçam que o aumento de vagas não é um privilégio ou gasto desnecessário, mas uma correção democrática. Quanto menor o número de parlamentares, maior a concentração de poder e menor a diversidade de vozes. Na prática, isso tem significado regiões inteiras sem representação direta, pouca renovação política e debate público limitado.
Outro ponto reforçado é que a Câmara de Londrina já opera entre as mais econômicas do país, considerando orçamento e custo por habitante. Mesmo com a ampliação, os gastos continuarão dentro do limite constitucional e não afetarão serviços essenciais.
Especialistas em gestão pública apontam que câmaras com poucas cadeiras tendem a ser mais vulneráveis a acordos restritos, baixa fiscalização e pouca oxigenação política. Ampliar o número de vereadores significa distribuir poder, aumentar fiscalização e garantir mais participação popular.
A resistência existe, especialmente fora do poder público. Uma parte da população enxerga a medida com desconfiança, reflexo do sentimento antipolítica acumulado nos últimos anos. Porém, apoiadores da proposta lembram que o efeito será sentido na próxima legislatura, com mais candidatos, mais pluralidade e mais representatividade.
O debate agora deixa de ser técnico e entra na fase decisiva. A cidade terá de responder a uma questão central:
Manter um Legislativo subdimensionado ou atualizar sua representação ao tamanho real da população?
Para quem defende a mudança, a resposta é clara: mais cadeiras significam mais democracia.


